“Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.” (Jeremias 10.23).

H
oje em dia somos levados a tomar decisões importantes para nossa vida, muitas vezes sem ter estrutura para isso. É o caso dos adolescentes, que chegam muito cedo às portas da faculdade, tendo que decidir sobre a profissão que seguirão por toda sua vida, sem ter, ainda, a maturidade para fazê-lo. Ou um casal em crise, que pensa em optar pelo divórcio, sem ter noção de como será o futuro de toda a família. Ou ainda alguém que, na meia-idade, perde o emprego e se vê obrigado a enfrentar um mercado de trabalho composto de profissionais mais jovens. Tudo isso pode gerar aflição e ansiedade, e nos leva a olhar para nossa devocional de hoje com expectativa.
Em situações assim, temos que reafirmar ao nosso coração o que o profeta Jeremias estava falando ao povo de Deus: “não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos”. Se tivermos essa convicção em todos os momentos de nossa vida, teremos maior facilidade para tomar as decisões importantes nos momentos cruciais. Tal convicção, entretanto, só pode ser adquirida quando nos submetemos ao senhorio do Altíssimo, sabendo que Ele é quem controla nosso destino. Isso não apenas simplificará nossos processos de decisão, mas também nos trará um sossego maior nas decisões que o Senhor nos orienta a tomar.
E, se você ainda pensa que você mesmo determina seu caminho, e dirige os seus passos, comece a mudar sua mente e a confiar mais no seu Senhor. Lembre-se dos textos bíblicos que nos ensinam sobre o estabelecimento de prioridades em nossa vida: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Salmo 37.5) e “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.31-33).
Em seus projetos de vida, busque a presença de Deus para tomar as decisões que nortearão seu futuro. Nossa visão é curta, mas nosso Senhor sabe todas as coisas, e certamente abrirá as portas certas na hora certa. Lembre-se que “não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor...” (Eclesiastes 9.11).
Se você está passando por angústia de alma, por causa da insegurança quanto ao futuro, ou por ter tomado uma decisão errada, volte-se para o Altíssimo com o coração aberto a mudanças. Mesmo os caminhos que já foram traçados poderão ser corrigidos e redirecionados. O seu futuro é de interesse de seu Deus, e ele certamente tem coisas boas para conceder, razão pela qual você pode, hoje, se entregar confiantemente a ele.


Rev. Saulo Pereira de Carvalho


“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.” (Isaías 59:1).

A
lgumas pessoas conduzem o relacionamento com Deus da mesma forma que administram o limite do cheque especial, em suas contas bancárias: algo para ser acionado apenas em momentos de aperto e dificuldades. E, ainda assim, buscam a face do Altíssimo só quando já tentaram de tudo, e não conseguiram resolver os problemas. Tais pessoas não cultivam intimidade com o Senhor, e não raras vezes têm a impressão que ele não ouve suas orações. Se, em suas aflições, você tem esse mesmo sentimento, aprenda com o texto de nossa devocional de hoje como lidar com ele.
O profeta Isaías está trazendo uma preciosa informação: que Deus está com as mãos estendida para salvar, e com os ouvidos abertos para ouvir nosso clamor por socorro. Isso é muito importante porque, em alguns momentos de nossa vida, isso é tudo que precisamos. Na verdade, temos até que lutar contra nosso próprio coração, uma vez que nos momentos de tribulação temos dificuldade em perceber esse socorro do Senhor.
Entretanto, é preciso estudar o capítulo todo, porque ali o profeta explica que essa impressão, de que Deus não está ouvindo nossa oração, pode ser algo real. Há situações em que, de fato, o Senhor não pode nos ouvir. Isso se dá quando vivemos em pecado. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (v. 2). No restante do texto, o profeta nomeia alguns dos pecados que o povo estava cometendo, evidenciando que viviam uma vida completamente à parte de Deus. O resultado de viver em pecado é descrito nos versos 9 e 10: “Por isso, está longe de nós o juízo, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que há só trevas; pelo resplendor, mas andamos na escuridão. Apalpamos as paredes como cegos, sim, como os que não têm olhos, andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas e entre os robustos somos como mortos”.
Se, até aqui, essa reflexão está trazendo peso sobre seu coração, em virtude de você estar vivendo em algum pecado (e agora sabe que Deus não poderá te abençoar por causa disso), então gostaria de trazer um lampejo de esperança para sua alma: a mensagem do profeta, é que a intenção do Altíssimo é a sua conversão, que você abandone a velha vida pecaminosa e passe a viver uma nova vida (“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” – 2 Coríntios 5.17). Nessa nova vida, o Redentor tira o pecado, que faz separação entre você e o seu Deus, e assim a mão dele estará novamente acessível para abençoar, e os ouvidos dele para ouvir seu clamor. E se você não sabe como viver uma nova vida, comece pela entrega total de sua vida a ele: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Salmo 37.5).
Ao passar pelos desertos de sua vida, aproveite para ter um encontro com seu Senhor, e desenvolver intimidade com ele.
“Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o SENHOR” (v. 20).


Rev. Saulo Pereira de Carvalho


“Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o SENHOR, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra.” (Isaías 62.6-7).

A
 tendência de nosso coração, nos momentos de aflição, é concentrar toda a atenção em nossas tribulações. Nesse contexto, não conseguimos ampliar o olhar, a fim de considerar a vida de nossos amigos e familiares, que também podem estar passando por momentos difíceis, e até mesmo precisando de nosso apoio. Esse “egoísmo”, que nos leva a pensar só em nós, também se aplica em nosso relacionamento com Deus. Nossas orações tornam-se centradas em nós e em nossa tribulação, e deixamos de ser abençoados pela forma correta de orar. Se você percebe que isso está se passando em sua vida, aprenda do texto acima como mudar essa realidade.
A mensagem central do texto, é que Deus não descansará enquanto não cumprir seus propósitos para seu povo. Ele nos pede para não lhe dar descanso, e com isso nos requer uma vida de oração. Aqui temos a descrição da intensidade da oração, com os termos “todo o dia e toda a noite jamais se calarão” os guardas sobre os muros. Também mostra a intensidade da oração, a ideia de que “não descanseis, nem deis a ele descanso”. Momentos de aflição é tempo de oração intensa.
O texto não traz só a intensidade, mas também o conteúdo da nossa oração. Esse conteúdo é expresso na frase “vós, os que fareis lembrado o SENHOR”. Em seus momentos de aflição, esse deve ser o conteúdo de sua oração. Mas essa descrição não quer dizer que Deus “esqueceu” de você. Ele é onisciente, e não pode esquecer-se de nada. Essa descrição serve para nos orientar sobre o conteúdo de nossa oração, porque o “lembrar o Senhor” é falar sobre o que ele mesmo já disse em sua Palavra, acerca do seu cuidado para conosco, que somos suas ovelhas. O benefício maior desse conteúdo da oração não é para o Senhor, mas para nós mesmos, quando relembramos as promessas dele a nosso favor. Se durante seu período de crise você trazer ao seu coração, “dia e noite”, as promessas de Deus, pode ter certeza que a aflição cederá lugar à fé.
E não é só isso! O texto fala da intensidade da oração, do conteúdo da oração, mas também do objetivo da oração. Veja que a oração não era egocêntrica, a fim de que o Senhor abençoasse a vida deles naquele momento. A oração intensa era “até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra”. Ao invés de pedir bênçãos materiais para eles, ou mesmo uma intervenção imediata no contexto deles, a oração do profeta era que Deus cumprisse seus propósitos na vida de seu povo, aqui expressado na cidade de Jerusalém. Em suas orações, lembre-se de pedir que o Senhor cumpra com os propósitos dele em sua vida. A vontade dele é melhor que a sua. Ao abençoar Deus o seu povo, certamente sua vida também será alcançada, uma vez que somos todos membros de um mesmo Corpo. “Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei...” (v. 1).
Que o Altíssimo apascente seu coração e ouça seus clamores a cada dia.



Rev. Saulo Pereira de Carvalho


O Livro de Números relata Israel às portas da entrada da terra de Canaã, onde doze homens são designados a espiar a terra, e a maioria optou pelo discurso de não entrar diante das dificuldades destacadas (Nm. 13.31-33), mas foi a minoria quem agradou a Deus, no caso, Josué e Calebe (v.30).
A maioria inflamou o povo e o desanimou contra a vontade de Deus, com prejuízo da sua própria entrada na terra, e retorno ao deserto, tendo ainda como consequência a decretação Divina da eliminação da maioria daquela geração (toda), que cairia no deserto. Somente Josué e Calebe entrariam (com suas famílias) na Terra Prometida.
Assim foi também nos dias de Elias, onde ele sozinho representou a Deus e sua vontade, ante aos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, a maioria deflagrados e condenados, como falsos profetas (1Rs. 18:20-40).
Assim também nos dias de Ló em Sodoma e Gomorra, quando somente ele e sua família seriam retirados para perda e extermínio da maioria, corrupta e depravada (Gn 19).
Assim foi com Israel no tempo de Jeremias, onde ele somente, pregando para a maioria, viu a destruição, desterro e deportação da maioria (Jr. 19:21). Assim foi com Jesus contra os fariseus, escribas e religiosos, onde ele somente denunciou o pecado e distorção da maioria, que se ajuntava no templo, recebendo sofrimento e injúria sobre Si (Mt. 21:12-13).
Assim foi com Estevão, que depois de testemunhar de Cristo e vendo a glória de Deus foi apedrejado pela maioria (At. 7:54-60). Assim foi com Paulo enfrentando os Judeus para lhes convencer que Jesus era o Cristo, também sendo perseguido pela maioria.
Assim foram com os pré-reformadores que foram executados pela maioria para silenciar a nascente voz da Reforma (John Huss, Savonarola). Assim foram com os reformadores (Lutero, Calvino, Zuínglio), que enfrentando a maioria, bradaram com exultante voz: “basta aos erros, foco nas Escrituras e Glória somente a Deus”. A Maioria não conseguiu detê-los, pois estes poucos estavam ao lado daquele que é Único, Superior e Eterno.
Assim continua até hoje o testemunho de uma minoria, ante uma maioria iniqua, incrédula e distante de Deus.
Tenho muito temor da maioria porque como já vimos múltiplas vezes, Deus e sua vontade não se expressam pela tendência da maioria.
Em tempos de estatísticas e consulta a pesquisas em busca da opinião da maioria para se estabelecer o que é certo e bom a todos, corremos um grande risco de nos deixarmos levar pela indução da maioria.
O velho ditado popular diz que: "a voz do povo é a voz de Deus", entretanto, olhando aos inúmeros exemplos bíblicos, esta fórmula logo se desfaz caindo por terra, mostrando-se como um engodo absurdo.
Desta forma, irmãos, CUIDADO!!!
CUIDADO com a voz da maioria!
CUIDADO com a opinião da maioria!
CUIDADO com o modo de vida da maioria!
Pois foi a maioria que gritou:
“Crucifica Jesus! E liberta a Barrabás!”
A maioria amou o pecado e regozijou-se com a injustiça!



Rev. Carlos de Souza Silva

Áudio da pregação do Rev. Carlos Freitas no culto do dia 08/01/2016, na Igreja Presbiteriana União.

Pregação do Rev. Carlos Souza no primeiro culto na IPU no ano de 2107.

Culto realizado no dia 31/12/2016 em gratidão a Deus pelo ano de 2016 que se findava e pelo ano de 2017 que estava por chegar, sabedores de que todas os dias desse ano novo já haviam sido escritos e determinados por Deus quando nenhum deles existia ainda, e que, como foi o próprio Deus quem os determinou, o melhor para nós certamente irá acontecer em 2017.


Queridos irmãos, mais um ano se foi. Gostemos ou não, queiramos ou não, neste período de festas é inevitável sermos confrontados com um balanço do que realizamos no ano que passou e as expectativas a respeito do novo ano que se inicia. É interessante que normalmente as perguntas que são feitas nesta retrospectiva variam entre alguns poucos temas: Consegui pagar minhas dívidas? Consegui perder peso? Consegui resolver meu problema de saúde? Consegui melhorar a qualidade nos meus relacionamentos? Consegui fazer a viagem que tanto sonhava? Consegui um emprego melhor? Consegui comprar o carro? Consegui adquirir um imóvel próprio? Consegui fazer a sonhada reforma? Consegui ampliar meu patrimônio? Não há nada de errado em avaliar as metas estabelecidas no inicio de um determinado ano. O ponto é que esta dimensão de interesses não traz a nossa alma a real perspectiva, a que possui significado sublime e é eternamente valiosa.
A perspectiva de Deus, a qual me refiro como sendo a REAL perspectiva, estabelece outro patamar de questionamentos feitos pelo próprio Espírito Santo aos nossos corações: Consegui ter a Cristo como o centro do meu existir? Consegui orar por aqueles que me perseguiram? Consegui caminhar a segunda milha com aqueles que me importunaram? Consegui conter minha língua contra aqueles que me injuriaram? Consegui honrar a Deus com as primícias do que ele me concedeu em termos de recursos? Consegui aumentar o meu tempo de oração e leitura da Palavra? Consegui amar incondicionalmente? Consegui sentir fome de Deus?
Percebam irmãos que a real perspectiva na retrospectiva não é constatar que as coisas melhoram para nós e nossas famílias, mas sim se ficamos mais crentes! Não falo aqui do jargão crentão e crentinho. Falo sim do desenvolvimento de nossa salvação com temor e tremor! Falo aqui daquele fogo interior crescente, fruto da atuação do Espírito Santo em nós, transformando-nos em pessoas mais CONSAGRADAS, mais SANTAS, mais DEDICADAS AO OUTRO. É isto que conta no balanço irmãos. O Senhor Jesus já nos exortou dizendo: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt. 6:33)
Em 2017 deseje, almeje, anseie por aumentar a qualidade de seu relacionamento com o Senhor Jesus. Trace alvos mensuráveis: ler um verso da Bíblia e meditar nele uma vez por dia, fazer um culto doméstico familiar no meio da semana, orar por um irmão a cada semana que se inicia. Comece pequeno, mas COMECE!!! Certamente nos sentiremos mais realizados, “porque Deus é o que efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp. 2:13).



Rev. Dusi


“Bendito seja o Senhor, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos, para a guerra; minha misericórdia e fortaleza minha, meu alto refúgio e meu libertador, meu escudo, aquele em quem confio e quem me submete o meu povo.” (Salmo 144.1-2)

R
ecentemente, chegamos ao final de mais um ano e iniciamos um novo período em nossas vidas. E essa meditação teria, necessariamente, que ser um brado efusivo de adoração e gratidão ao nosso maravilhoso Senhor. Um hino de gratidão por tudo que Ele fez por nós, e intercessão por mais essa etapa.
Primeiramente, a gratidão e o louvor: “Bendito seja o Senhor, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos, para a guerra; minha misericórdia e fortaleza minha, meu alto refúgio e meu libertador, meu escudo, aquele em quem confio e quem me submete o meu povo” (v.1-2). Agora que terminamos o ano de 2016, olhe para trás e perceba que você superou esse período, não importam as crises que tenha enfrentado. Foi Deus quem te sustentou, quem adestrou suas mãos para as lutas da vida, quem teve misericórdia e foi sua fortaleza. Em alguns momentos, eu sei que você, na sua aflição, nem percebeu que Deus estava ao seu lado; mas agora, analisando a situação, você pode constatar que aqueles problemas talvez nem existam mais, pois o Senhor o solucionou por você e através de você. Por isso, nessa época de transição de ano, faça da ação de graças e louvor sua oração ao Senhor: “A ti, ó Deus, entoarei novo cântico; no saltério de dez cordas, te cantarei louvores” (v. 9).
Além disso, anime o seu coração ao olhar para o futuro. Se você passou por um ano “andando e chorando”, mas chegou até aqui com o coração apascentado pelo Senhor, continue fazendo isso neste ano que se inicia hoje, e assim sucessivamente até o final de sua vida. Mas lembre-se: viva um dia de cada vez, como Jesus nos ensinou no modelo de oração – “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6.11) – e procure viver, sem ansiedade, este dia na presença do Senhor, que cuida de você. O passado não existe mais e o futuro ainda não chegou. Louve o Senhor neste dia, e não perca o sono ou o sossego de alma por causa das preocupações.
Encerro essa devocional desafiando você a unir-se, comigo, ao salmista em oração pela nossa casa: “Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio; que transbordem os nossos celeiros, atulhados de toda sorte de provisões; que os nossos rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares, em nossos campos; que as nossas vacas andem pejadas, não lhes haja rotura, nem mau sucesso. Não haja gritos de lamento em nossas praças. Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor! (v. 12-15).


Rev. Saulo Pereira de Carvalho

“Portanto, assim diz o SENHOR: Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim; se apartares o precioso do vil, serás a minha boca; e eles se tornarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles.” (Jeremias 15:19)

Após um período sem ver um antigo amigo, eu o reencontrei e ele estava bem mais magro. Perguntei-lhe sobre o segredo daquele emagrecimento, e ele disse que estava fazendo caminhada todos os dias, sem exceção. Como ele sempre afirmava não ter tempo para se exercitar, perguntei-lhe como resolveu isso, e ele contou seu segredo: o médico cardiologista disse que ele teria, no máximo, seis meses de vida, caso não fizesse exercícios físicos regularmente. O problema não era a falta de tempo, mas a falta de prioridades.
No texto de hoje, o profeta fala de um assunto muito comum a todos nós, e que se constitui numa constante fonte de aflições: a falta de foco e de prioridades em nosso planejamento pessoal.
Na verdade, Deus estava fazendo uma repreensão ao profeta nesse texto. Jeremias era humano e tinha seus defeitos, mas pelo menos ele os admitia honestamente a Deus. Em vez de encobrir seus verdadeiros sentimentos com piedade, derramou seu coração diante do Senhor, e Ele respondeu. Nessa resposta de Deus é que temos a direção para resolver o problema de nossa aflição.
Deus orienta acerca de duas coisas importantes, que devemos sempre ter em nossa vida. A primeira é o arrependimento: “Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim”. Se a origem de suas aflições é em um estilo de vida longe de seu Senhor, então você precisa voltar atrás. Isso é o que está implícito no arrependimento: um retorno para Deus, independente de quanto você tenha se distanciado dele. Muitas de suas aflições são decorrentes do esfriamento espiritual, e não adianta buscar a bênção de Deus, de forma distanciada do Deus da bênção. Tendo o devido arrependimento desse estilo de vida, o Altíssimo te conduzirá de volta e estarás diante dele.
A segunda coisa importante, é que precisamos ter critérios bem definidos em nossa vida: “se apartares o precioso do vil, serás a minha boca”. A ideia de ser a “boca de Deus”, diz acerca de ser um instrumento de bênção na vida de outras pessoas, que estão precisando de uma palavra de Deus. Perceba que, ao voltar para Deus, haverá uma reversão em sua vida de tal forma que você sairá de uma pessoa aflita e angustiada, para se tornar uma pessoa abençoadora de outros. E é isso mesmo: suas experiências em seus momentos de aflição ainda servirão para mostrar a outros a ação da boa mão de Deus. Mas para que isso aconteça, ele diz que você tem que aprender a separar “o precioso do vil”. Isso implica em saber que “todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (I Coríntios 10:23).
Em seus momentos de aflição, analise cuidadosamente sua prática diária, e verifique se você não está precisando reorganizar suas prioridades de vida, a fim de abandonar as práticas que, mesmo sendo lícitas, não trazem nenhuma edificação.


Rev. Saulo Pereira de Carvalho